Amizade

Pés massageados
cantiga de amigo

4 Respostas to “Amizade”

  1. Daianne Says:

    A Amizade é um amor que nunca morre.
    Quintana.

    (Love you more.)

  2. Terezinha Says:

    Fran, lendo este post, lembrei-me de uma poesia sobre a amizade que quero deixar registrada aqui.

    Enquanto houver amizade

    Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
    Mas, enquanto houver amizade,
    faremos as pazes de novo.

    Pode ser que um dia o tempo passe.
    Mas, se a amizade permanecer,
    um do outro há de se lembrar.

    Pode ser que um dia nos afastemos.
    Mas, se formos amigos de verdade,
    a amizade nos reaproximará.

    Pode ser que um dia não mais existamos.
    Mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo, um para o outro.
    Pode ser que um dia tudo acabe.

    Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
    cada vez de forma diferente, sendo único e inesquecível cada momento que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

    Autor Desconhecido

  3. Luti Says:

    Amizade é mesmo uma coisa rara, o amor é. Posto o texto abaixo em homenagem a uma grande amiga, a melhor, desde os tempos de criança… e que infelizmente as convenções sociais nos obrigaram a separar. Lembro de uma cena: eu com uns 8 anos havia caído de patins, os patins dela, fiquei brava e joguei-os, quebrou…ela saiu correndo, pegou os patins e jogou mais longe ainda e me abraçou dizendo “tá doendo?eu vou cuidar de você até o sangue parar, até cicatrizar, até você não lembrar mais que caiu” (eu sempre me lembrei, rs), a gente nunca esquece dos gestos de amor.Na adolescência fugimos para outro estado, ela queria conhecer o namorado, depois de um ano de correspondência e eu na experiência do primeiro namorado também… vivências.Voltamos 3 meses depois porque descobrimos a duras penas que não se vive só de amor, rs. E fico feliz em saber que ela se casou com o primeiro grande amor, pelo visto, o único…e teve uma filhota. O ciclo continua…

    Então, o texto de Clarice L. vai para minha querida Vânia Aparecida Batista Carvalho.

    UMA AMIZADE SINCERA

    Clarice Lispector

    Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora. Há tanto tempo precisávamos de um amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto. Só que o assunto havia de ser grave, pois em qualquer um não caberia a veemência de uma sinceridade pela primeira vez experimentada.

    Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossas mútuas namoradas também estava fora de cogitação, pois um homem não falava de seus amores. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.

    Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.

    Foi quando, tendo minha família se mudado para São Paulo, e ele morando sozinho, pois sua família era do Piauí, foi quando o convidei a morar em nosso apartamento, que ficara sob a minha guarda. Que rebuliço de alma. Radiantes, arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-nos dentro de casa, de braços abanando, mudos, cheios apenas de amizade.

    Queríamos tanto salvar o outro. Amizade é matéria de salvação.

    Mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, e com que amargor sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo.

    Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.

    Tentamos organizar algumas farras no apartamento, mas não só os vizinhos reclamaram como não adiantou.

    Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.

    Data dessas férias o começo da verdadeira aflição.

    Ele, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza. Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E, mais que maior, incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu quarto, com alívio nem nos olhávamos.

    É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando meu amigo teve uma pequena questão com a Prefeitura. Não é que fosse grave, mas nós a tomamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andei entusiasmado pelos escritórios de conhecidos de minha família, arranjando pistolões para meu amigo. E quando começou a fase de selar papéis, corri por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve firma que se reconhecesse sem ser através de minha mão.

    Nessa época encontrávamo-nos de noite em casa, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender por que os noivos se presenteiam, por que o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, por que a mãe exagera nos cuidados ao filho. Foi, aliás, nesse período que, com algum sacrifício, dei um pequeno broche de ouro àquela que é hoje minha mulher. Só muito depois eu ia compreender que estar também é dar.

    Encerrada a questão com a Prefeitura — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? Mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.

    Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.

    A pretexto de férias com minha família, separamo-nos. Aliás ele também ia ao Piauí. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros.

    (“Felicidade Clandestina”, 1998)

  4. Os números de 2010 « Marítima Says:

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