Tags: Cordeiro de Nanã, Mateus Aleluia, Nanã Buruku, Talma de Freitas
Oriki de Nanã
Mãe, leva esse amor embora. Leva essa saudade de dentro de mim…
Saluba, minha mãe!
…
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10/11/2010 às 22:19 |
Para F.
Não deixe o amor ir embora, não. Mesmo que a alma se torne senil, mesmo que a boca choramingue a amada, mesmo que o corpo estremeça. Segure-o entre o vale da saudade. Mesmo que ele mate, mesmo que você se debata, mesmo que em seus olhos revele o vazio. Sangre-o na pele dos tesões não vividos, nos sonho descabidos, no rio em que você não entrou. Mas agüente firme. É o amor. Feito para desfigurar a vida, em mistérios, em expectativas… Não deixe o amor ir embora, não. Aprofunde-se na saudade. Até o último orvalho secar, o ar expirar e não ter outra alternativa que recomeçar… Porque aí, só lhe restarão alguns fantasmas. E você não terá a mínima ideia de seus passos, embora, esteja certa, eles caminharão… Peça a Nanã apenas seu colo. E ela zelará a sua dor e, em silêncio, rezará pelos seus lamentos. Não sei ao certo o que será… mas gosto de imaginar que daí podemos ao menos ser parte das cicatrizes…